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Trabalho Decente

04/09/2017 10:09

Oficina orienta técnicos do SineBahia para atendimento ao público LGBT

Promover um atendimento respeitoso e acolhedor para lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais que procuram o SineBahia. Foi com esse objetivo que a Secretaria do Trabalho, Emprego, Renda e Esporte (Setre) reuniu técnicos que atuam nas unidades do serviço em Salvador, para uma oficina, na tarde da última sexta-feira (1º).

Durante a capacitação, os participantes acompanharam relatos de discriminação e preconceito, por identidade de gênero e orientação sexual, vivenciados por LGBTs que buscaram uma oportunidade no mercado de trabalho. Além disso, receberam orientações práticas sobre como prestar um atendimento que contemple as especificidades deste segmento.

“A população de travestis e transexuais é uma das que mais está distante do emprego formal no Brasil e no mundo. Cerca de 90% das associadas da nossa instituição vive da prestação de serviços sexuais e, tenho certeza, que os outros 10% não estão na formalidade. Ações como essa oficina são o primeiro passo para a transformação dessa realidade”, afirmou a presidenta da Associação Nacional de Travestis e Transexuais (ANTRA), Keila Simpson.

A professora graduada em Direito e ativista da União de Negros pela Igualdade (Unegro), Margarete Carvalho, destacou as interseções entre o preconceito racial, de gênero e por orientação sexual. “O mundo do trabalho é formalizado dentro de uma perspectiva do legado da colonização, da escravização e do patriarcado. Dessa forma, o preconceito e a discriminação dificultam a inserção profissional, causando danos em todos os setores da nossa vida”, explicou.

De acordo com a ativista, Milena Passos, primeira mulher trans do Brasil a prestar serviço em uma Secretaria de Políticas para as Mulheres, medidas como o respeito ao nome social fazem toda a diferença no acolhimento de travestis, transexuais e transgêneros: “É preciso respeitar a identidade escolhida por cada um. O nome social é uma conquista, um direito básico, e deve ser utilizado em todos os espaços, evitando que as pessoas trans deixem de procurar o serviço por conta do constrangimento”, orientou.

Diversidade

A oficina foi um dos desdobramentos da Roda de Conversa “Diversidade LGBT e a 1ª Experiência no Mundo do Trabalho”, realizada pela Setre no mês de maio. “O governo do estado tem o compromisso de promover trabalho digno, adequadamente remunerado, em condições de segurança e sem discriminar as pessoas por nenhuma condição. Por isso, nos dias 23 e 24 de outubro, vamos ampliar esse debate durante o “I Fórum Baiano da Diversidade no Mundo do Trabalho”, contou a coordenadora da Agenda Bahia do Trabalho Decente, Ângela Guimarães.

Para o superintendente estadual de Desenvolvimento do Trabalho, Alexandro Reis, acolher profissionais com diferentes perfis é uma necessidade fundamental no mercado corporativo. “O crescimento e o potencial competitivo das empresas está diretamente relacionado à capacidade que elas têm de atrair e respeitar a diversidade. A equipe do SineBahia precisa estar preparada para atuar nesse cenário, garantindo igualdade de oportunidades para todas as trabalhadoras e trabalhadores que buscam o serviço”, ressaltou.

O SineBahia possui 2,4 milhões de pessoas cadastradas e realiza cerca de 60 mil atendimentos por mês. De janeiro a julho deste ano, mais de 23 mil trabalhadoras e trabalhadores foram colocados no mercado através do serviço. “É o melhor desempenho do Nordeste e um dos quatro melhores do país, o que demonstra a responsabilidade e a necessidade de avançar para atender adequadamente a diversidade de pessoas que nos procuram”, pontua o coordenador de Intermediação para o Trabalho e Seguro-Desemprego, Hildásio Pitanga.

Ascom Setre
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